BibliON: curadoria de outubro propõe reflexões sobre água, preservação e futuro
outubro de 2026
Foto: SP Leituras/Divulgação
Essencial à vida e presente na história das sociedades, a água é também um patrimônio coletivo e finito. A curadoria de outubro da BibliON parte desse princípio para reunir três obras que, por caminhos distintos, convidam a refletir sobre preservação, escassez, responsabilidade ambiental e nossa relação com esse recurso.
Com o tema Afluentes do Amanhã: Preservação e Consciência Coletiva, a seleção aproxima poesia, ficção científica e literatura contemporânea para pensar a água para além de sua dimensão material. O guardador de águas, de Manoel de Barros; Duna, de Frank Herbert; e A memória da água, de Emmi Itäranta, apresentam mundos em que a relação com a natureza e a disponibilidade dos recursos hídricos transformam modos de viver, imaginar e organizar a sociedade.
Em O guardador de águas, Manoel de Barros volta o olhar para os elementos mais simples da natureza. Por meio de Bernardo da Mata e de uma linguagem que aproxima águas, plantas, animais e seres humanos, o poeta propõe outra forma de perceber o mundo natural, marcada pela contemplação, pela sensibilidade e pelo respeito aos ritmos da vida.
Em Duna, clássico da ficção científica de Frank Herbert, a água ocupa o centro da vida no planeta desértico Arrakis. Diante da extrema escassez, seus habitantes desenvolvem tecnologias, hábitos e rituais coletivos para evitar o desperdício até da umidade produzida pelo próprio corpo. Nesse universo, cada gota possui valor e a sobrevivência depende da capacidade de preservar um recurso raro.
A escassez também estrutura A memória da água, de Emmi Itäranta. Em um futuro afetado pelas mudanças climáticas, a água potável se torna um recurso rigidamente controlado. A protagonista, uma jovem mestre do chá, guarda o segredo de uma fonte natural conhecida por sua família e precisa enfrentar as consequências dessa descoberta. O romance coloca em discussão o acesso à água, a exploração dos recursos naturais e as responsabilidades diante de um futuro marcado pela crise ambiental.
Entre a delicadeza da poesia e futuros imaginados pela ficção, as três obras lembram que nossa relação com a água envolve escolhas individuais e coletivas. Preservá-la significa também pensar no mundo que estamos construindo e no legado que seguirá por seus próximos afluentes.
Acesse a BibliON, confira os títulos da curadoria de outubro e escolha sua próxima leitura.
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