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Dia dos Povos Indígenas: celebrando a diversidade cultural e literária do Brasil

abril de 2025
Foto: Invasão Colonial Yvy Opata – A terra vai acabar, de Xadalu Tupã Jekupé. Foto: Maurício Burim. Museu das Culturas Indígenas.

No dia 19 de abril, o Brasil celebra o Dia dos Povos Indígenas, uma data dedicada a reconhecer e valorizar a riqueza cultural e histórica dos povos originários do país. A comemoração é uma oportunidade para refletirmos sobre a importância dessas comunidades na formação da identidade nacional e para promovermos a preservação de suas tradições e saberes.

Uma forma essencial de nos conectarmos com a cultura indígena é por meio da literatura escrita por autores indígenas. Essa produção literária traz perspectivas únicas sobre suas histórias, lutas e conhecimentos ancestrais, além de contribuir para a visibilidade e o fortalecimento dessas vozes.

Para aqueles quem querem conhecer mais sobre essa literatura, a Biblioteca Sabesp oferece um acervo especial com livros de autores indígenas e não indígenas, possibilitando uma imersão na riqueza dessas narrativas. A BibliON, biblioteca digital de São Paulo, também disponibiliza uma coleção digital acessível a todos os interessados em explorar a literatura indígena contemporânea.

Boa leitura! 

Contos Indígenas Brasileiros, de Daniel Munduruku 


Os oitos contos selecionados pelo autor, a partir de um critério linguístico, têm a intenção de retratar, através de seus mitos – o roubo do fogo, a origem do fumo, depois do dilúvio, entre outros -, a caminhada de alguns de nossos povos indígenas do norte ao sul do país – Guarani, Karajá, Munduruku, Tukano, entre outros. A leitura dessas histórias dá às crianças uma rica visão de nossa herança cultural.

O Karaíba: uma história do pré-Brasil, de Daniel Munduruku 


Antes da chegada dos colonizadores europeus, os habitantes do Brasil eram organizados, tinham sua vida estruturada e tiravam proveito da exuberante natureza que os cercava. Nessa narrativa cheia de aventura, poderemos imaginar um pouco sobre quais eram seus amores, seus dramas e suas ansiedades em relação ao futuro.

Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade 


Publicada em 1928, a obra representou por muito tempo o símbolo do "povo brasileiro" ou ainda daquilo que chamamos de "nação". Esta edição, que conta com o estabelecimento do texto de Telê Ancona Lopez e Tatiana Longo Figueiredo, oferece uma nova chave de leitura ao romance, com foco especial para as fontes indígenas utilizadas por Mário de Andrade em sua composição. As ilustrações do artista carioca Luiz Zerbini são feitas com um procedimento similar ao de Mário com as fontes indígenas em seu texto. As monotipias não são "representações" da vegetação tropical: são as próprias plantas e objetos entintados que são colocados na prensa, imprimindo e dando relevo com sua textura ao papel. A edição traz prefácios inéditos de Mario de Andrade, bem como o glossário de Diléa Zanotto Manfio, feito para a edição crítica de 1988, há muito fora de circulação. Nele, o leitor tem acesso ao significado de todas as palavras indígenas e regionais utilizadas ao longo do romance.

Minha família Enauenê, de Rita Carelli


A obra é da autora Rita Carelli, que passou parte de sua infância na aldeia indígena dos Enauenê-Nauê, no estado do Mato Grosso. De todas as suas descobertas que ela faz entre os índios, cujos costumes e cultura são bem diferentes daqueles a que estava habituada, uma em especial chama a sua atenção: os papéis sociais rígidos estabelecidos para homens e mulheres. Um livro que aborda, de maneira sensível, questões como a dos papéis sociais, da divisão do trabalho, da diversidade cultural e dos diferentes modos de vida. As belas ilustrações, criadas por Anabella López, misturam as linguagens da pintura e da colagem, exploram contrastes e trazem detalhes importantes da tribo, como as tatuagens na barriga das mulheres, a forma das casas e a dimensão do pátio.

Contos da floresta, de Yaguarê Yamã 


O livro recria mitos e lendas do povo indígena Maraguá, conhecido na região do Baixo-Amazonas como "o povo das histórias de assombração". As três primeiras histórias são mitos sobre animais fantásticos que protegem as florestas e as três seguintes são lendas que enredam a rotina da tribo em acontecimentos mágicos, todas elas narradas em pequenos textos cheios de ritmo e suspense. As histórias estão imersas na natureza, com personagens em intensa relação com a floresta, sempre considerada em seu inesgotável mistério. Ao final, um glossário com termos da Língua Regional Amazônica e do idioma Maraguá contribui para o registro da cultura de um povo que hoje vive em apenas quatro pequenas aldeias e conta 250 pessoas. O leitor encontrará também um posfácio sobre a cultura dos povos de que descende Yaguarê e uma entrevista com o autor.

Tom vermelho do verde: baseado em eventos históricos, de Frei Betto 


Frei Betto ergue sua voz em defesa dos indígenas, perpetuamente esquecidos pela sociedade brasileira e oprimidos pelos grupos que os exploram desde o "descobrimento". Tom vermelho do verde é um livro de denúncia, mas também um romance histórico que cativa o leitor desde as primeiras páginas e o impressiona com o profundo conhecimento da cultura indígena apresentado pelo autor. No momento em que os povos originários sofrem pressões para que suas terras sejam exploradas por companhias mineradoras e madeireiras que causam danos ecológicos irreparáveis, Frei Betto nos revela o drama vivido pelos Waimiri-Atroari a partir da construção da rodovia BR-174 em suas terras, na década de 1970.

Xingu: os contos do Tamoin, de Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas


Entre 1943 e 1949, os irmãos Cláudio Villas Bôas e Orlando Villas Bôas participaram da Expedição Roncador-Xingu, em que fizeram o primeiro contato com vários povos indígenas do Centro-Oeste brasileiro. Essa expedição foi a semente do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. Inspirados na convivência com indígenas de vários povos, os irmãos Villas Bôas inventaram neste livro conversas de um menino da cidade com meninos indígenas que convivem no Xingu. O personagem que conduz o contato com os indígenas é o menino Villinha (Orlando Villas Bôas Filho).

Cordelendas: histórias indígenas em cordel, de César Obeid


Imagine a junção da literatura de cordel com as lendas indígenas. É o que este livro Cordelendas – Histórias indígenas em cordel traz: A poeticidade das lendas indígenas misturada ao dinamismo e às rimas dos versos de cordel. Por meio dele, o leitor pode encontrar de forma diferenciada a explicação para diversas situações e para a origem de algumas das coisas que nos cercam. Além de se divertir com os fabulosos versos de César Obeid, o leitor ainda pode saciar algumas de suas curiosidades.

Cada remada uma história, de Tiago Hakiy; Daniel Munduruku; Cristino Wapichana; Roni Wasiry


Quatro jovens de diferentes nações indígenas se juntam, em uma jornada pelo rio Amazonas, para desvendar a lenda da fonte do arco-íris – que ouviram de um viajante mais velho e conta sobre um lugar maravilhoso onde se poderia encontrar as sementes do arco-íris; um lugar mágico onde “morava a alegria iluminada pelas luzes que emanavam deste arco sagrado” .

A pescaria do curumim e outros poemas indígenas, de Tiago Hakiy 


Nesta obra, a cultura dos índios da Amazônia é apresentada às crianças sob a forma de singelos poemas. Ninguém melhor do que Tiago Hakiy para fazer isso com aprumo: descendente do povo sateré mawé, o autor nasceu em Barreirinha (AM), no coração da Floresta Amazônica. O livro ganha ainda um charme extra com as representativas ilustrações de Taísa Borges. Coloridos, tradicionais e de traços fortes, os desenhos contribuem para a inserção do público infantojuvenil no universo dos índios amazônicos.